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07/08/2007


Economia Solidária - Microcrédito, receita para crescer

Crédito rápido, sem burocracia, a juros baixos. Essa é a receita para a economia solidária crescer e se consolidar como alternativa de emprego e renda. O remédio tem nome conhecido, mas ainda pouco utilizado no país: microcrédito. Há quem diga que esse medicamento é melhor do que o Bolsa Família, pois o impacto é maior na medida em que estimula o empreendedorismo. Para "tomar" um empréstimo desse tipo, basta apresentar identidade, CPF e comprovante de residência. Assim, simples e fácil, sem necessidade de comprovar renda ou apresentar garantias.

O microcrédito, seja para capital de giro ou investimento, é um poderoso instrumento no combate à pobreza. Funciona bem no artesanato e na agricultura familiar. Nos grandes centros urbanos, ajuda no desenvolvimento do pequeno comércio de bairro, com seus tabuleiros, lojinhas, restaurantes e fiteiros. Gente que tem vontade de crescer, mas não encontra respaldo nos bancos tradicionais. Pensando nesse público, a Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial (Ande), braço microfinanceiro da ONG Visão Mundial, desenvolveu o modelo dos bancos comunitários. São grupos de dez a 25 pessoas que se unem para ter acesso ao crédito. Solidariamente, um avaliza o outro.

São cerca de 200 bancos no país, 39 em Pernambuco. No bairro da Macaxeira, no Recife, o Banco Comunitário Economia Solidária existe há dois anos e meio e possui dez sócios. Um presidente, um diretor e um tesoureiro representam o grupo junto à Ande. "Antes de entrar no banco eu não tinha esperança de ampliar o meu negócio", diz Graça Elizabeth Ferreira de Moura, 49, uma das "sócias". Há quatro anos separada do marido, ela começou fornecendo almoço na sala da casa de sua irmã para sobreviver e sustentar três filhas. Eram apenas duas mesas, que atendiam, no máximo, dez pessoas.

Graças ao microcrédito - R$ 300, para começar -, dona Beta formou estoque, comprou fogão industrial, freezer e panelas maiores. Com o último empréstimo, de R$ 2 mil, reformou a casa. O restaurante hoje tem 11 mesas e fornece cerca de 50 refeições diárias. Comida caseira, feita por ela e por uma ajudante. O faturamento do self service chega a R$ 3 mil mensais. "A metodologia (do banco comunitário) não é rentável para a instituição, mas o impacto social é enorme", resume o gerente de operações da Ande no país, Rone Cezário.

Poupança - Os sócios dos bancos comunitários recebem noções de educação financeira, liderança e associativismo. Também aprendem a poupar. Maria José da Paz, 47, vendia canjica, pamonha e milho cozido na praça da Encruzilhada. Depois dos empréstimos, passou a fornecer para uma padaria, mesmo fora do período junino. Com o dinheiro do financiamento, comprou mais sacas de milho e refrigerantes para abastecer o fiteiro que fica em frente a sua casa, negócio herdado do filho que faleceu em 2005, aos 19 anos. Resultado: triplicou seu faturamento, que hoje alcança os R$ 300 semanais. "Esse empréstimo mudou a minha vida. Hoje eu tenho até poupança. Até o final do ano, quero fazer uma reforma na barraca", planeja Maria José.
Diario de Pernambuco - PE - 07/08/2007


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