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22/10/2008


Microcrédito produtivo orientado é opção para começar pequenos negócios

Maioria dos empréstimos é concedido para empresas que já estão no mercado e o microcrédito atende pessoas que trabalham na informalidadeA concessão de crédito está ameaçada com a crise financeira mundial. Apesar disso, especialistas no assunto afirmam que os microempresários que possuem negócios voltados ao mercado interno brasileiro não vão sofrer tanto o impacto da crise. E o pequeno empreendedor que buscar o microcrédito produtivo orientado poderá ter mais chances de desenvolver os negócios, nesse momento em que as grandes instituições financeiras vão frear o máximo possível a concessão de empréstimos.

O consultor do Sebrae, Luiz Ricardo Grecco, relata que o crédito ficará mais escasso no exterior e vai afetar pouco as pequenas empresas brasileiras. “A retenção de renda não deve ser de grande magnitude e o grande impacto será mesmo para as empresas exportadoras”, analisa. Porém, com a maior retenção de renda no mundo, o empreendedor deve avaliar o mercado, aconselha. “O microempresário vai perceber que com a baixa liquidez, os bancos vão emprestar para quem oferece menos risco e, nesse sentido, as microempresas sofrem para conseguir empréstimos”, enfatiza.

Nesse cenário, o microcrédito produtivo orientado é uma opção que vem atender a parcela da população que não tem acesso ao financiamento bancário. “A maioria dos empréstimos é concedido para empresas que estão no mercado e o microcrédito atende pessoas que trabalham na informalidade”, declara Grecco. A sistemática de empréstimo dos bancos que oferecem o microcrédito, segundo ele, funciona com a figura do agente de crédito que avalia o risco do negócio, favorecendo a geração de renda.

De acordo com Floriani, diretor superintendente do Banco do Empreendedor com sede em Santa Catarina, a média de valores liberados para investimentos em pequenos negócios fica em torno de R$ 4.5 mil e a grande maioria que busca crédito na instituição é constituída por trabalhadores informais. “Para fornecer crédito, o banco, através do agente de crédito, vai conhecer o que esse tomador do financiamento quer fazer. Na verdade, vamos elaborar um primeiro retrato do negócio, ou seja, um plano de negócios e fazer a análise”, conta Floriani. Segundo ele, o banco se propõe a auxiliar o tomador de crédito com visitas freqüentes do agente.

Floriani destaca que o perfil de pessoas que buscam crédito é bastante diferente e instituição financeira que ele dirige realiza cerca de 200 operações mensais de concessão de crédito, contabilizando de R$ 800 a R$ 1 milhão por mês em empréstimos, exclusivamente com o propósito de fomentar negócios e estimular a economia. “Recebemos bastante pescadores, pessoas interessadas em montar salão de beleza, negócios envolvendo o comércio de alimentos caseiros, facção de roupas e artesãos”, conta. Ele cita o setor de serviços como o que sofre mais a carência de crédito, devido ao problema de como mensurar e planejar os custos e lucros e acrescenta que o empréstimo para capital de giro é o mais procurado.

Exemplos de empreendedorismo

O ex-garçom Arno Seidler é um dos exemplos de empreendedores que buscaram o microcrédito produtivo orientado no Banco do Empreendedor para realizar o sonho de ter seu próprio negócio. “Quando o negócio é pequeno é muito difícil conseguir crédito, por isso os recursos conquistados devem ser bem aproveitados”, afirma Arno.

Desde 2002 o empresário dirige a MeinHaus, churrascaria localizada na cidade de São José (SC). “Em 2004 consegui ampliar e em 2006 reformei completamente o ambiente”, conta. Atualmente, a churrascaria que começou com cinco funcionários já conta com 30 e o plano do empresário é se tornar líder no mercado. “A pequena empresa precisa de uma força para alavancar os negócios que vem da liberação de crédito”, analisa Seidler.
O diretor da empresa Flavored Popcorn, Jones Yuri, era apenas um estudante à procura de uma renda para custear o curso de Direito quando descobriu um nicho de mercado com a venda de pipocas nos cinemas dos shoppings da cidade de Florianópolis (SC). “O ano era 1994 e na época eu percebia que as pessoas que freqüentavam os espaços dos cinemas tinham que sair para comprar a pipoca lá fora, aí fiz uma proposta para os responsáveis que administravam o cinema e consegui colocar uma máquina para vender pipocas”, relata.

Yuri conta que no período de 1994 a 1999 trabalhou como autônomo na atividade e somente em 1999 registrou a marca e solicitou o microcrédito produtivo orientado ao Banco do Empreendedor para comprar mais máquinas. “Com o negócio improvisado, percebi que em um dia ganhava o equivalente a um mês de trabalho, então resolvi seguir em frente e aproveitar o máximo possível os recursos disponibilizados pelo banco”, revela.

Com o desenvolvimento dos negócios que se profissionalizaram com a comercialização das pipocas em embalagens personalizadas atrelada a layouts planejados do espaço onde fica o carrinho, o empresário começou a receber telefonemas de interessados em abrir franquias em suas cidades. “Depois disso, fui pesquisar sobre franquias, pois na época não imaginava que era possível franquear o meu produto e meu primeiro contrato de franquias foi fechado para instalação da máquina de pipocas em Belo Horizonte”, declara.

Hoje a empresa, com sede na capital catarinense, tem 30 funcionários, 30 pontos-de-venda espalhados por todo o Brasil e recebe em média 50 interessados em adquirir a franquia mensalmente. “Meu próximo desafio é implantar o comércio eletrônico”, conclui.
Para saber mais sobre o assunto acesse: http://empreendedor.uol.com.br/_novo/_br/?secao=Multimidia&multimidia_id=33


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